sexta-feira, 8 de junho de 2012

O TRATO DOS VIVENTES

Capítulo: 01

     O autor pontua que tendo como pilar os três continentes os colonizadores percebem que a escravidão e as formas de trabalhos forçados não os dão garantias de domínio sobre os nativos e nem a garantia que esse trabalho forçado poderia ser transformado em mercadorias, entretanto os acordos que eram realizados entre os comerciantes oceânicos faziam surgir novas forças nas metrópoles alterando o equilíbrio das monarquias européias. No Peru e na maior parte da América espanhola estava acontecendo uma grande luta pelo controle dos nativos, conseqüentemente essa luta gera conflitos entre o clero, os colonos e a Coroa. Em 1542-43, as Leyes nuevas reconhecem a soberania indígena, prevêem o fim das encomiendas fazendo com isso que os nativos dependessem diretamente da Coroa.

     Com essa nova política de governar a Coroa consegue se articular de maneira muito interessante, porque enquanto ela cedia aos conquistadores o direito de ficar com os índios dominados a mesma impedia a criação de feudos hereditários e impunha sua autoridade sobre as terras e populações conquistadas e a conquistar. Na Angola a Coroa se comporta praticamente da mesma maneira no primeiro momento oferece aos conquistadores certa liberdade para suas conquistas, mas logo depois a mesma retoma o domínio da situação gerando um grande descontentamento favorecendo os surgimentos de motins, já em Moçambique os portugueses reconhecem a autoridade dos lideres locais que são confirmados em seus postos pelo imperador de Monotapa.

     Portanto, todas as conquistas ou lucros que eram obtidos passavam pelo controle direto ou indireto da Coroa portuguesa que agia de forma ordeira no primeiro momento, mas depois impunha seu poder dominatorio para fazer valer sua autoridade.

      No século XVI crescem as tentativas de centralização do poder e esse mesmo poder que até então eram repartido com os estrangeiros agora será tomado e centralizado apenas nas mãos da Coroa é a chamada “restauração metropolitana” que restringia a autonomia dos principais autores das conquistas, ou seja, a Coroa deu liberdade aos conquistadores estrangeiros para exercer uma espécie de colonização e depois os colonizam tomando de volta o poder que até então era concedido.

     A Coroa portuguesa mantinha o controle do clero secular através do jus patronatus,privilégios concedidos pelos papas aos reis ibéricos apesar de uma estratégia de evangelização que gerou conflitos com os colonos e com a Coroa. É importante frisar que na ausência da presença militar cabia ao clero manter a lealdade dos povos coloniais as Coroas Ibéricas. Na Metrópole o Santo Oficio quase sempre aparece como maquina de guerra da aristocracia contra a burguesia mercantil, e com isso a por meio da inquisição a igreja ibérica desempenhou um duplo papel de ajudar a consolidar o dominium ao fixar o povoamento colonial nas regiões ultramarinas e fortalecer o imperium na medida em que suscitava a vassalagem dos povos além mar.

     Com o Tratado de Alcáçovas em 1479, as ilhas Canárias que eram portuguesas passam aos espanhóis dando um fim a guerra de sucessão na Espanha e ao desconforto que havia entre Portugal e Castela nos mares do Guiné. Com a exploração do carácter cosmopolita aterritorial, Portugal lança precipitadamente as bases de uma área imperial de mercado sem uma estrutura consolidada o que leva a falta de excedentes regular que favorece e muito o trafico negreiro que assume grandes dimensões gerando receitas para o Tesouro Régio, dessa forma os ganhos fiscais do trato sobrepõem-se aos ganhos econômicos da escravidão .

 

Referência:

     ALENCASTRO,Luiz Felipe de; O trato dos Viventes (Formação do Brasil no Atlântico Sul) Cap. 01, p. 11 a 41.

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